Assisti agora há pouco, aqui no Itaimbé em Santa Maria, a palestra do Içami Tiba – ‘Quem ama educa’, e vou atender ao pedido que ele fez aos participantes: fazer fofoca. Disse que só estava pedindo porque havia um número notável de homens... se tivesse somente mulheres não precisaria pedir. Assim, introduziu brevemente a diferença entre homens e mulheres, salientando como diferem na educação e a importância de aprendermos a lidar com essas particularidades.
Conduzindo o assunto para o tema central do encontro, comparou palestras com sementes e livros com raízes, dizendo que a base de sua palestra eram seus livros, Quem ama educa, Famílias de alta performance e Pais educadores de alta performance.
Dentre os vários tópicos das duas excelentes horas, abordou desde a quantidade limitada de palavras que o cérebro de um homem consegue gerar em um dia – o homem que mais fala, fala o mesmo que a mulher que menos fala; passando pela imprescindibilidade de criar e saber que cada filho é único; cruzando pela nocividade das drogas em geral; passeando nos filhos criados pelos avós - os quais têm muito amor e pouco conhecimento educativo; chegando a comparação de instituições vitais na vida do ser humano com água e vinho – ‘quando pai fala vinho e mãe fala água, o filho desanda’, e ‘quando escola fala vinho, família fala água, o estudante desanda’; e assim por diante.
Tiba, como ele mesmo se chamava, sem uso de Datashow nem qualquer outro recurso audiovisual, além do microfone, de forma bem humorada e caricata levou os presentes a refletirem, especialmente a mim, sobre a intrínseca responsabilidade dos pais com o futuro da sociedade, na educação de seus filhos. Explicou detalhadamente como ensinar um filho a guardar seu brinquedo e, mais detalhadamente sobre o que esta ‘simples’ tarefa pode significar, ou não, na vida de uma pessoa.
Em uma linguagem altamente compreensível e envolvente, concluiu que um filho que não guarda brinquedo, não guarda mochila na escola, não atende celular na balada, não pára em emprego nenhum, terceiriza a educação de seus filhos para a escola, na velhice se te levar pra tomar sol, te esquece lá e te deixa torrando, ou te abandona no asilo. Porque? Simples, de novo. Não aprendeu a ter responsabilidade, a cuidar e zelar por seus pertences, porque sempre teve alguém que fazia por ele. Não foi educado sobre regras da hierarquia familiar, nem soube o que é ter segurança se espelhando na liderança firme e coesa dos pais, porque se chorava, pai ou mãe defendiam o coitadinho que estava cansado de ‘brincar’ o dia inteiro, ..., ..., ...
Saí da palestra ainda mais convicta das minhas crenças e decisões a respeito de família. Não é sem motivo que até hoje não sou mãe, pois tenho uma noção considerável da missão nobre e comprometedora que é a de criar um filho, da qual não me eximo, pelo contrário, tenho plena consciência de como preciso estar o mais inteira possível, e o quanto eu puder melhor preparada para ser uma mãe e antes de tudo, uma cidadã ética, que quer fazer o melhor, que pensa o melhor e que compara resultados – assim como o palestrante escreve em um de seus livros sobre famílias de alta performance.
(Angelita M. Schifelbein, 03 de maio, 23h23min)
.jpg)