Atenção! O Ministério do Bom Senso adverte: Ler este 'Trato', ao som da música acima, é altamente prejudicial a um coração apaixonado e sem rumo."
Vamos fazer um trato? Você finge que não entendeu ainda o que se passa,
e eu finjo que não sei o que estou dizendo, nem sentindo.
Assim, deixamos para ver como é que fica,
e não nos incomodamos com nossas revelações. Fechado?
As demais cláusulas são as seguintes:
1ª) Por mais que quando te encontrar, meu coração quase venha a saltar pela boca, e eu ficar te olhando com cara de paisagem, me roendo por dentro de vontade de roçar meu rosto no teu rosto, deslizar meus dedos pelos teus cabelos e me inebriar com teu cheiro: Ignoremos.
2ª) Por mais que você esteja nervoso e louco para perguntar e falar sobre o que está acontecendo, às claras saber dos meus sentimentos, ver até onde pode ir com os teus, e querer me desnudar a alma só com tua proximidade: vá embora, fuja, invente um compromisso de última hora.
3ª e última) Dadas as circunstâncias igníferas de desejos velados, meias palavras que falam demais, desconhecimento de ambas as partes do que fazer, e mesmo que a vontade de te abraçar seja tão grande que me leve às lágrimas por não poder, e que teu olhar quase me atropele de tanto significado: vamos agir como se nada esteja acontecendo.
Disposições gerais: Fica eleito o foro do tempo que a vida der, para decidir o que acontecerá nas próximas cenas deste imaginário.
Esse trato ficará registrado nas percepções mais perspicazes, que não terão o direito de se manifestar, visto que as partes não autorizam nem a elas mesmas.
Angelita M. Schifelbein – direitos autorais reservadíssimos